Deus e eu talvez..
Olá. Sou eu.
Esse título é bem estranho realmente, é como se eu negasse
Deus ou seja lá no que você acredita. Mas ele choca, porque é o que as pessoas
acham de mim.
Esse final de semana troquei um show de rock para ficar com
meus parentes em Santa Cruz de Irupí-ES e como de costume os acompanhei nos
trabalhos da igreja Presbiteriana. Eu não tinha plano algum de aparecer lá
neste final de semana da independência do Brasil, mas devido aos acontecimentos
do dia anterior eu estava tão cheia de tristeza que não consegui achar melhor
lugar para esta e por isso cheguei lá devido ao desespero de uma mulher, no
sábado de madrugada.
Tudo na vida tem um propósito é o que dizem, e se é assim o
mundo estava certo ao me enviar para lá. No culto dos talentos no Sábado a
noite tive a oportunidade de Conhecer 3 guerreiros que em um ato de amor
trocaram as suas divertidas férias escolares por uma viagem de missões em
Angola na África. O objetivo: Fazer a primeira Escola Bíblica de Férias (EBF)
da igreja Presbiteriana de Ondjiva. Para quem não sabe, a EBF é voltada para
crianças na época das férias escolares e além dos cultos com uma linguagem
diferente para elas, há brincadeiras, presentes, lanches e uma gincana que dura
geralmente uma semana. No caso dos jovens da MPA (Movidos Pelo Amor), também
utilizaram essa oportunidade para ajudar a trazer um pouco mais de sustento à
vida dessas crianças que vivem em sua grande maioria com sérios problemas
socioeconômicos.
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| A gordinha é euzinha e os elegantes são João Marcos, Elisa e Victória, os jovens corajosos que foram para a angola. tem mais um quarto integrante nessa banda, mas no dia ele não pode ir. |
Na viagem puderam levar doações como quites de higiene
bucal, roupas, alimentos, bíblias e assim abençoar esses irmãos. Contaram das
grandes dificuldades que passaram no local, como o problema da água potável,
que só há em garrafas vendidas por um alto preço e por isso os moradores
daquela região têm que se virar com a água suja e até mesmo o banho que é
difícil ter água quente num local onde a noite pode fazer 8 graus e só cai água
do chuveiro de 30 em 30 segundos. Por esses motivos as meninas tiveram
problemas estomacais e os meninos ficaram gripados. Ainda contaram que devido à
pobreza há a problemas com moradia, onde as casas são feitas de um único cômodo
com chapas de zinco, onde o calor de 40 graus de dia tem uma sensação térmica
de 70° dentro destes ambientes e o sofrimento para obter alimento onde na
maioria das vezes vivem somente de fubá e água.
Viram também em uma comunidade próxima que a igreja
acompanha e auxilia o grande problema em relação à saúde, onde tiveram que
ensinar muitas das vezes as crianças a escovarem os dentes e viram a quantidade
de feridas expostas que elas tinham sem tratamento algum. Quanto à educação,
não há escolas; Crianças caminham quilômetros com banquinhos nas mãos para
receberem conhecimento de seus professores embaixo de árvores e do sol
escaldante ou chuva. Por este motivo a igreja Presbiteriana de Ondjiva está,
aos poucos, construindo em seu terreno uma escola que possa abrigar as crianças
da região para terem as aulas.
Mesmo com todos esses infortúnios presentes na vida do povo
de Ondjiva a jovem Victória contou como ficou encantada do quanto eles
perseveram sem deixar a peteca cair. Eles oram a todo tempo todo: para pedir,
para agradecer ou somente para falar com Deus. Eles fazem mutirões de orações,
onde nas famílias cada integrante acorda em um horário diferente da madrugada e
se colocam de joelhos para orar por todos; fazem encontros às 5 da manhã e oram
ajoelhados por uma hora e meia; todos os dias há membros da igreja que passam a
noite no templo em vigília orando para que Deus sustente aquele lugar; oram
para agradecer imediatamente qualquer coisa que ganham, mostraram-nos inclusive
um vídeo em que o pastor angolano demonstrar imensa alegria por ganhar um Datashow
e simplesmente cai de joelhos e agradece em oração.
Ao terminar esses relatos o pastor da Presbiteriana de Santa
Cruz pediu a palavra para dizer, que naquele momento ele sentia pena de si
própria e da sua congregação, mesmo com todo o luxo e conforto que os moradores
daquele distrito têm, não possuem tal gratidão e fé como o povo de Angola. O
povo de Ondjiva viu a guerra marcar suas vidas e ainda após o seu fim, carregam
as marcas deste desastre e lutam todos os dias para se reerguerem e em tudo
isso agradecem ao Senhor. O Pastor de Santa Cruz reconheceu que não possui a
mesma fé.
Eu não sou incrédula e sei que acreditar em um ser superior
é a melhor forma de se sustentar para seguir em frente em uma caminhada tão
árdua. A fé move montanhas e no caso deles, desertos. O fato é que não é mais
possível ignorar todas as coisas que acontecem no mundo, é difícil acreditar
como tanta gente consegue ter o sangue frio de viverem suas vidas e ignorarem
por completo que seus semelhantes sofrem e simplesmente vivem seus caprichos
até o dia de suas mortes.
A vontade que me dá é de no próximo ano me juntar a eles e
ir fazer parte desse mundo ajudando, o valor para esta viagem custa por volta
de 4 mil reais para despesas pessoais. Para quem realmente quer ir nessa
missão, o valor não fica alto para se arrecadar em um mês e nada que a igreja
onde congrega também não possa financiar um voluntário. Não querendo ou não
podendo ir à missão, é possível contribuir com doações para que o trabalho
missionário possa ser realizado. Vou deixar o Link do instagram e demais
contatos.
Quanto a mim, quero ajudar, sim. Nesse caso não sei se seria
a missão certa para mim, pois o objetivo deles além de ajudar é transmitir a
palavra de Deus segundo as crenças protestantes e eu não sou lá a mais indicada
para isso. Mas eu creio que Deus vê o coração do homem, mesmo ele estando
manchado, desde que haja boa intenção. Enfim, que sabe talvez, não nessa, mas
em outra missão seja Deus e eu?
Quanto a hombridade desses adolescentes, não há dúvidas, se
todos possuíssem a mesma gana de encarar um fato tão sério em busca de um bem
maior, já estaríamos no céu. Não é algo de se ignorar.
Até + Criaturinhas.




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