É o fim ou o começo?
Santa Cruz, 07/11/2018
Hoje conversando ao telefone com minha mãe, ouvi dela que já faz muito tempo que eu tento
fazer as coisas darem certo sozinha e não estão dando, porque todo mundo
precisa de ajuda. Mas será que realmente as coisas não estão dando certo?
Sai de uma empresa multinacional depois de três anos e meio e recebi 10 mil de rescisão e
5 meses de seguro desemprego, investi em uma agência de modelos a qual me deixou
sem dinheiro e ainda me adquiriu uma divida de uns 6 mil reais no banco que até
hoje não consegui quitar, além do nome sujo numa operadora de internet e até
com a Uber. Não fosse suficiente o
problema financeiro, tive ainda a vergonha de apresentar meu fracasso a minha família
onde até cheguei ao ponto de apanhar da minha irmã, nunca imaginei chegar a
isso, passar meses de briga ouvindo que eu não tinha juízo, que eu era
infantil, que eu não queria nada com nada, e ainda tentar insistir em algo, e por fim onde tive a tristeza de me decepcionar com a pessoa a quem confiei cada centavo
que eu consegui com tanto esforço em
tanto tempo de trabalho. Ao final de tudo isso, uma ideia louca me surgiu e vim
para a casa do meu pai, com menos de um mês eu me infiltrei na rádio local, com
dois meses eu tinha virado repórter da cidade e agora, seis meses depois, onde o município não renovou contrato com meu
patrão, me vejo novamente desempregada.
Todos esses acontecimentos cercearam minha vida em um período
de um ano e meio e me reencontro então na estaca zero. Dessa vez me sobraram
talvez uns 300 reais de rescisão. O que dá para fazer com isso? O que eu sei, é
que aparentemente as portas novamente se fecharam e isto me fez ouvir ao
telefone minha mãe dizer que eu não conseguirei sozinha e que não adiantou nada
eu ter vindo para cá. Será que não? Será que o valor do fracasso consegue ser
tão maior a ponto de sufragar o meu mérito em ter coragem de abandonar o
conforto que eu tinha para tentar ser alguém melhor com um objetivo maior? Será
que não há nada de positivo em uma moça encarar a vida de frente e ir buscar
sentido na vida ao invés de viver o resto da vida as barras da mãe lhe trazendo
no sofá tudo à mão enquanto engorda e cria espinhas?
Meu caro, tenho entre todas estas informações passadas, certas conclusões:
Não ponha seu dinheiro fora quando trabalhar muitos anos a fio
e receber uma bolada atoa, se for investir, não gaste acima do que tem, muito
menos sem ter um contrato assinado;
Não espere passar a vergonha do fracasso em frente a sua
família, tome uma decisão antes;
Não fique parado, se vir que existem oportunidades possíveis
para você em algum lugar simplesmente vá, você ira aprender muito;
Não deixe de guardar algum dinheiro, mesmo que o mínimo,
isso pode te salvar alguma hora;
Não se mantenha dependente das pessoas, isso tem mantém
refém a elas e pode te atrapalhar quando você realmente precisar de ajuda;
Não seja antipático, turrão, fechado, você não sabe na mão
de quem está o seu destino;
Entre essas dicas, há algumas que vivi totalmente,
parcialmente e outras que já compreendi, porém ainda não as coloquei em prática
(é aquela historia: faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço), ainda assim, após fazer esse
levantamento, eu só consigo ver que eu era uma criança e agora sou uma adulta
em desenvolvimento.
Ainda vou apanhar muito? Provavelmente ainda nem levei as
pancadas da vida direito, eu só espero que quando isso me acontecer, eu esteja
preparada e saiba me defender.
Nesse momento eu não poderia me encontrar em melhor
conforto, estou na casa da minha tia há uma e seis da madrugada debaixo das
cobertas numa cama confortável digitando no notebook da minha prima e com o ventilador de teto
ligado apesar do frio (para espantar mosquitos). Eu sei que tenho pessoas que
me amam e que querem me ajudar. Minha mãe principalmente, sei que o que ela
disse não foi por mal, sei que seu instinto é cuidar de mim e que quando ela
percebe que estou passando por alguma dificuldade a primeira ação dela é me
mandar voltar para casa onde tenho alimento e proteção e as vezes realmente até
dá vontade de voltar, mas eu entendo que preciso aprender a seguir com minha
própria vida. Nessa primeira semana que estou desempregada, além de estar me
preocupando um pouco com o enem, também tenho usado o tempo ocioso para
analisar meus últimos passos e planejar o que realmente é mais sensato que eu
faça daqui para frente. Tenho algumas ideias, algumas opções. Noite passada que
eu acordei às quatro da manhã e não consegui mais dormir, coloquei-me a pensar
na vida e confesso que um calafrio de medo e dúvida passou pela cabeça, porque é claro que esse conforto do qual agora desfruto, terá de
acabar. A verdade é que as coisas tem que tomar um ritmo seja qual ele for, sei
que na hora certa, uma oportunidade, uma manobra melhor aparecerá em minha
estrada.
Lhe apresento minha vida e lhe deixo pensar se isto é o fim
ou só o começo. Eu creio, que eu só não posso fraquejar.
Até + Criaturinhas.

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