Sobre BBB, cabeças pensantes e futilidades da vida.




Terça feira, um dia atípico para uma pessoa adulta cheia de prioridades e responsabilidades sair e ficar jogando conversa fora em um bar. Só que não para jovens com muita energia na veia e necessidade de extravasar e transcender intelectualmente até a mente virar uma bela de uma ameba. Concorda?

Imagem: https://twitter.com/bbb


Não que eu tenha problemas em sair qualquer dia da semana. Problema tenho não. Aliás, adoro! Entretanto, nos últimos tempos com a necessidade de focar mais no meu crescimento profissional tenho me forçado mais a ficar em casa e fazer algo mais “valoroso”, como por exemplo escrever esse texto. Ainda assim, hoje dispus-me a estar até pouco antes deste horário em que me encontro escrevendo (23:47hrs) na rua, para celebrar o aniversário de uma grande amiga.

Esta inclusive, é uma, entre mais uma meia dúzia de pessoas que me fazem gostar demais de Manhuaçu, a ponto até de me deixar pensativa quando pondero em ir embora daqui. Ela e essas outras meia dúzia de pessoas, transformam essa cidade do interior de pouco mais de 90 mil habitantes em um lugar familiar e prazeroso de morar, fazem viver aqui valer a pena.

Eu convivo com essas pessoas por conta de um bar, o “Casa velha”, que de fato é uma casa velha, te paredes com tijolos à mostra e maciças janelas de madeira. O ambiente neste momento não vem ao caso, o que ocorre é que algo, alguma magia corre neste lugar, que parece ter confeitado as melhores pessoas que eu gostaria de conhecer na vida. Pessoas de “cabeças pensantes” dispostas a devorar o mundo com a mente e com entusiasmo suficiente para querer transformá-lo. Ao menos o meu mundo eles transformam.

E o que conversamos? De tudo... amizades, amores, transtornos, rock, musica pop, do brega ao chique, coisas completamente fúteis e irradiadas de complexidade e como diria na música Eduardo e Mônica de Legião Ubana:

“Ela falava coisas sobre o Planalto Central 
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda tava no esquema

Escola, cinema, clube, televisão”.

E em toda essa conversa, passei a pensar se eu não poderia ter encontrado melhor lugar no mundo com a possibilidade de acreditar que se eu sair daqui, nunca mais vou me deparar com tais perfis. Em uma conversa com uma outra amiga, falávamos hoje em como é difícil conseguir tal proeza de encontrar tantas raridades dessa em um lugar só e chegamos a conclusão que talvez isso tenha em todo lugar, o que acontece é que com o passar do tempo aprendemos a ser mais seletivos. Daí recordei-me de quando vim para cá, com a quantidade de personalidades com que me deparei, até chegar nas que estou hoje, inclusive, cheguei a me traumatizar com um outro ambiente que frequentava e que passei a julgar como um lugar de pessoas (se não soar redundante empregar as duas palavras na mesma frase) fúteis e superficiais, pessoas que só sabiam falar que estavam muito chapadas, do quanto gastaram na festa tal e com quantos ficaram no último rolê. Eu convivi com essas pessoas por um tempo e ao passar dele, simplesmente meu estômago foi embrulhando até que perdi  a vontade de sequer parar naquele ambiente. Até que hoje, o mundo me deu uma porrada...

Ao sair do minha nárnia e vir para casa, acabei esbarrando com uma amiga, que também julguei que por hora era mais saudável que eu me afastasse pois o estilo de vida dela não é compatível com o meu. Ainda assim, dei-lhe uns minutos do meu tempo, ela expôs alguns problemas dos quais eu já tinha conhecimento e haviam se dissolvido de vez, fazendo com que ela estivesse bem melhor e isso já me deixou feliz por ela. Por conta desse leve break na minha trajetória para casa, veio subindo um bêbado e ele estava muito alterado e quem me conhece sabe que eu morro de medo de andar sozinha a noite pois eu já fui assaltada 4 vezes. Quando ela foi embora, acabei tendo que parar nesse outro lugar que não julgo o mais saudável da parada e esperar que aquele tormento sumisse para que eu pudesse seguir adiante. Com isso, parei em uma mesa que tinha um conhecido meu da entidade filantrópica a qual eu faço parte e assim tive que interagir com os demais membros da mesa, aos quais tenho certo conhecimento. Eles falaram da época em que faziam também parte dessa entidade, de como conviveram e até foram expulsos, numa nostalgia que só, aquele assunto me deixou mais confortável em estar ali, já que era um assunto de meu conhecimento e interesse, até que veio o assunto do momento: O paredão do BBB.

Se eu tiver assistido uns 3 episódios do programa foi muito, mas principalmente por ter uma participante da cidade que nasci, acabo sabendo de tudo que acontece pelos stories dos amigos e da Bruna Marquezine (sim a atriz, ela grava tudo nos stories dela nem precisa de pay-per-view). Apesar de não ter o hábito de acompanhar, acho interessante o quanto essa edição parece ter entrado mesmo na cabeças dos jovens que vivem no mundo da web e simplesmente não se interessam mais por rádio ou tv, a certeza é que trazer os youtubers para o reality realmente foi uma boa jogada, confesso que meu interesse em saber de algo sobre começou por conta do Pyong.  Enfim, talvez por conta do feminismo e da avalanche de valorização da autoestima, essa edição travou os olhos das pessoas e além do entretenimento barato passou também a mobilizar questionamentos sobre as atitudes assistidas no BBB, que refletem o comportamento brasileiro.

Eu me vi, naquele momento, até com vontade de acompanhar mais o programa, os jovens daquela mesa se encontravam em volta de um celular escutando o angustiante e interminável discurso do apresentador com fervor e dando opiniões tão sensatas do porque tal participante deveria ser eliminado, e não era porque fulano era chato ou porque ciclano não era bonito, mas sim porque um abusou sexualmente e o outro psicologicamente. Eles enxergavam a toxidade do ambiente apresentado e que aquilo não podia continuar, ali na torcida deles, eles torciam pelo justo, torciam pela emancipação da moralidade.

Eu me senti então absorta com toda aquela situação e um filme veio a minha cabeça com todas as vezes que julguei aquele mundo fútil e superficial demais. Eles eram jovens tão incríveis quanto eu acho incríveis os meus amigos, a única coisa que nos separa é o estilo de vida, a forma de encarar o mundo.

De certo, existem sim muitos jovens que não estão nem aí pro que está acontecendo ao redor deles, de fato, muitos vão viver de forma fútil e superficial, infelizmente, para o resto da vida. Mas isso não dá o direito, sendo bem clichê, de generalizar. Eu posso sim ter tido alguns traumas naquele meio e percebido que aquele ambiente realmente não é o melhor para mim, mas isso não quer dizer também que é o pior lugar do mundo. A forma deles saírem para se divertir e a forma como eles encaram tudo pode ser muito diferente da forma que eu e meus amigos convivemos, mas isso não quer dizer que seja ruim, é apenas diferente. Cada um tem sua forma de lidar com o mundo, com os seus problemas e pra eles, conversarem tão sério numa mesa de bar pode não ser tão tentador e confortável quanto para meus amigos e eu. Mas isso não quer dizer que eles não se importem ou se sensibilizem e eu precisei de um bêbado e um Reality Show  pra eu conseguir absorver. No final todos queremos o bem, de uma forma ou de outra, só que alguns demoram menos para entender, alguns mais e outros bem mais. Cada um chega em algum lugar do seu jeito.

Profundo né? E ai criaturinhas, qual é a sua forma de se expressar no mundo? Conta aqui. Vou adorar saber!
Até +

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