27 a idade do sucesso e de alguns mortos famosos.

 Oi criaturinhas, tem o que? Um ano que não passo por aqui? Bom, acho q ninguém lê esse blog então por isso vou desabafar por aqui mesmo.


Daqui um mês e pouquinho, vou completar 27. Vinte e sete quem diria, esse data tão esperada e temida por mim está próxima. Na verdade não tão esperada, gostaria de ficar nuns 24, com o corpinho que eu tinha aos 19. Tava bom. Enfim, mas eu contava, que nessa altura eu estaria famosa, a todo vapor, produzindo coisas legais e aproveitando minha independência. E quase aconteceu, não fosse eu ter feito uma série de escolhas desastrosas no último ano. 

Eu finalmente tinha tudo o que queria há um ano atrás: meu próprio apartamento; meus móveis; estava participando de um grupo social bacana que ajudava as pessoas; estava construindo boas relações com jovens da minha idade que podiam me dar incentivo suficiente para ser uma pessoa melhor; estava fazendo faculdade e tinha acabado de ser promovida, não tinha ganhado aumento, mas tinha meu tão sonhado programa na rádio FM da qual lutei antes um ano e meio na rádio am tocando moda de viola dos anos 30 para um público de 80 anos (não que eu não tenha amado fazer isso) pra ter merecimento; escrevia minhas músicas, sempre sorria, tudo era tão novo e tão delicioso era viver a vida. 

Agora um ano depois eu não tenho nada. Absolutamente nada. Muitos podem colocar a culpa na pandemia, que ela tirou seus empregos, suas saúdes entre outras coisas. Mas decerto não foi ela quem me ferrou; foi eu mesma.

Eu me apaixonei, achei ter encontrado o amor da minha vida e me entreguei a ele de tal maneira que acabei abandonando, aos poucos todos os meus sonhos e pretensões. A pandemia não teria me afetado em nada se eu tivesse seguido até aquele ponto. Hoje eu sei, até hoje não peguei a doença, nem nisso teria me atrapalhado, a audiência de rádio aumentou na pandemia, eu teria me tornado a Cia de centenas de pessoas isoladas e precisando de consolo.

Existem vários grandes artistas no mundo da música, que faleceram aos 27: Ou se mataram, ou morreram de overdose, coisa do tipo. Eu há alguns anos pensava que algo assim iria acontecer comigo, que eu teria tanto sucesso a essa altura que poderia não aguentar e sucumbir. Mas talvez eu tenha me sabotado quanto a isso, talvez eu tenha ficado com tanto medo disso acontecer que sabotei meu próprio sucesso pra não ter essa desculpa. Certamente não vou morrer de overdose e me matar, porque eu nunca quis tanto viver na minha vida, como quero agora.

Eu tenho saudades, saudade de trabalhar a semana toda e no final de semana ficar em casa de tão cansada de trabalhar a semana toda. Tenho saudades de me preocupar com minhas contas no fim do mês e saber que eu posso dar conta disso. Tenho saudades de me estressar com minha faculdade a distância e lembrar que isso é só um complemento para a minha brilhante carreira já em mandamento e muitos gostariam de ter essa oportunidade. Eu tenho saudades de ficar atoa vendo filmes e, encantada com as histórias, logo após ir correndo para meus equipamentos fazer um vídeo sobre, ou postagem, ou letra de música ou qualquer coisa relacionada que explorasse minha empolgação. Eu tenho saudades dos meus equipamentos de gravação, do meu computador, de gravar, de editar, de ter vontade de criar minhas ideias. De passar a tarde inteira cantando e compondo. Tenho saudades de contar moedas pra beber um litrão no bar e sentar na calçada e conversar com meus colegas, tenho saudades de me reunir com a galera do bem e procurar saber como vamos ajudar o próximo, mesmo eu sendo também a pessoa que as vezes precisa ser ajudada. Tenho saudades de pegar um ônibus e viajar por horas sem fazer ideia do que vai acontecer, saudades de conhecer gente nova sem ter medo dessa pessoa sair ofendida por quem está comigo. Saudades de ir pra casa da minha mãe e ficar lá despreocupada que tem alguém me vigiando ou me barrando de viver minha vida.

Eu estou prestes a completar 27. Vinte e sete quem diria...

Eu não vou morrer de overdose, não tenho achado nem graça mais em beber, tão pouco vou me matar, porque eu nunca estive com tanta vontade de viver minha própria vida como agora!

Só que eu tô sem base, sem saber o que fazer, tudo que eu amo tá tão distante, parecendo tão impossível. Entretanto, isso tudo pode ter acontecido só pra me afastar deste infeliz fim para as grandes estrelas dos 27.

Querida Ammy e Kurt e tantos outros, ainda não está na hora de me juntar a vocês, eu sei que ainda tenho muito por aí. Eu ainda não sei o que fazer. Todavia sei que não é o fim.

Espero que não seja, que a esperança não ceda.

Meu pai pouco tempo atrás me disse, que sou um pássaro 🐦 e que no momento estou com a asa quebrada. Espero que logo ela sare, pra que eu possa novamente voar.

Perdão aos que decepcionei no último ano. 

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